Juros compostos são juros sobre juros: o rendimento de cada período passa a render nos períodos seguintes. No começo a diferença para os juros simples é pequena, mas ela cresce a cada ano, e por isso o tempo investido pesa tanto quanto a taxa.
A fórmula
Para um valor aplicado uma única vez, o montante é M = C × (1 + i)^n, em que C é o capital, i é a taxa por período e n é o número de períodos.
Exemplo: R$ 10.000 a 10% ao ano por 10 anos viram 10.000 × 1,1^10 ≈ R$ 25.937. Com juros simples seriam R$ 20.000. A diferença, cerca de R$ 5.900, é o rendimento dos rendimentos.
Taxa anual não se divide por 12
Para achar a taxa mensal equivalente a uma taxa anual, a conta é (1 + taxa anual)^(1/12) − 1. Uma taxa de 12% ao ano equivale a cerca de 0,95% ao mês, e não a 1%.
O erro de dividir por 12 parece pequeno, mas se acumula: em prazos longos ele infla o resultado de forma relevante.
O papel dos aportes
Na prática, quase ninguém investe uma vez só. Com aportes mensais, cada aporte rende pelo tempo que fica aplicado: o primeiro rende o prazo inteiro, o último quase nada.
Exemplo: R$ 10.000 iniciais mais R$ 1.000 por mês, a 10% ao ano, chegam a cerca de R$ 225.800 em 10 anos. Foram investidos R$ 130.000; o restante, perto de R$ 95.800, são juros.
Não esqueça a inflação
Um saldo de R$ 225.800 daqui a 10 anos não compra o mesmo que R$ 225.800 hoje. Com inflação média de 4% ao ano, esse valor equivale a cerca de R$ 152.500 em dinheiro de hoje.
Por isso vale olhar sempre o resultado real, descontada a inflação. É ele que mostra se o patrimônio cresceu de verdade.
Na vida real
- A rentabilidade varia de ano para ano; uma taxa fixa é só uma referência para comparar cenários.
- Impostos e custos reduzem o resultado e dependem do tipo de investimento e do prazo.
- Rentabilidade passada não garante resultado futuro.